Carros autônomos, para onde eles vão?

Introdução

Olá galera! Bem vindos a mais um artigo do blog.

   O assunto da vez são os carros autônomos. Essa é uma tecnologia que vem fazendo muito barulho no mundo todo. E tem muita gente com medo do que está vindo. Serão os carros capazes de tomar decisões de vida ou morte? Os seres humanos perderão o direito de dirigir em grandes cidades? Um carro desses pode ser invadido por hackers? Essas e diversas outras perguntas giram em torno dos carros autônomos. Afinal de contas, não seria algo relacionado com IA (Inteligência Artificial) se não estivesse rodeado de questões éticas e morais, não é mesmo?

  Antes de mais nada, algumas pessoas podem estar se perguntando: o que carros autônomos tem a ver com IA? Basicamente, um sistema de IA é o cérebro do carro. Toda informação e tomada de decisão precisam passar por esse sistema. Quando a gente lê em algum lugar que determinado carro autônomo possui X milhares de quilômetros rodados, não quer dizer que ele apenas tem uma alta quilometragem, mas muito mais do que isso. Graças a uma famosa técnica de inteligência artificial, chamada Machine Learning, os carros conseguem aprender com cada ação que eles tomam. Ou seja, graças a IA, os carros autônomos estão em constante evolução!

Explicação simples dos sistemas que compõem um carro autônomo.

 

Breve história

  Como de costume, a ideia por trás dessa tecnologia não é nova. Os primeiros protótipos de veículos automatizados surgiram em um famoso evento de tecnologia e inovação, a Feira Mundial, na cidade de Nova York, em 1939 – a mesma que aparece no primeiro filme do Capitão América e foi inspiração da Marvel para criação da Expo Stark, nos quadrinhos do Homem de Ferro. Neste artigo, de 1969 da revista IEEE Spectrum, podemos ver como os engenheiros de décadas atrás pensavam sobre veículos autônomos. 

Cena do file “Capitão América”, retratando a feira mundial.

Prós e contras

   A adoção de uma tecnologia que teria alto impacto na vida de todos é sempre alvo de muito debate. Desde a revolução industrial inglesa dos séculos XVIII e XIX até à implantação dos computadores pessoais na vida cotidiana e profissional a partir da década de 1970, uma nova tecnologia ou ferramenta causa disputas de interesse. Com os carros autônomos não está sendo diferente.

  Existem muitas pessoas contrárias aos carros que dirigem sozinhos e muitas outras com algum grau de desconfiança e, é importante dizer que, para muitas questões sobre o tema, ainda não há uma resposta definitiva. A tecnologia ainda está em uma fase bem inicial, regulamentações específicas ainda não foram feitas e poucos no mundo já tiveram contato com carros com algum grau de automação.

  Quem é contra, geralmente embasa seus argumentos em alguns pilares. Seriam os carros seguros, isto é, até que ponto são vulneráveis a ataques hackers? Em relação a isso, é válido lembrar do caso de uma dupla de hackers que, segundo reportagem da revista Wired,  através de uma brecha no sistema de entretenimento de um Jeep Cherokee 2014, conseguiram assumir o controle do carro (os hackers estavam a quilômetros de distância). 

   Outro ponto chave trata do poder de decisão e capacidade de tomada de ação que um carro poderia ter. Vale lembrar o acidente envolvendo um Model S da Tesla, que estava em modo piloto automático, e resultou na morte do motorista. Nesse acidente ocorrido dia 7 de maio de 2016, no estado norte-americano da Flórida, o carro nem o motorista conseguiram perceber a lateral branca de um caminhão contra a claridade do céu. 

Model S, carro com funções autônomos da Tesla.

Outra  questão se refere a possibilidade do ser humano perder o direito de dirigir. Esse certamente é um tópico que dará bastante trabalho às autoridades públicas.

    Entretanto, estamos falando de tecnologia e um fator intrínseco a isso, é a evolução. De fato, os carros autônomos possuem diversos problemas atualmente. Mas é pouco provável que esses problemas durem muito tempo. Diferente de outras tecnologias, carros que dirigem sozinhos são um esforço de um número muito grande de organizações. Desde empresas até universidades, muita gente está trabalhando para tornar essa tecnologia viável, segura e acessível a todos.

   Atualmente, já podemos citar exemplos do bem que os carros autônomos trarão. Um desses é o caso em que um Model S da Tesla “previu” um acidente, em uma auto estrada na Holanda.

   Baseado na manobra feita por um carro a frente, o Model S pôde reconhecer um perigo iminente (graças às técnicas de Machine Learning e Deep Learining e ao banco de dados da empresa, assunto para um próximo artigo) e com isso, acionar o sistema de freio sem intervenção humana. O acidente foi gravado e vale muito a pena assistir ao vídeo no YouTube (o Model S emite um sinal sonoro na cabine do motorista segundos antes do acidente de fato ocorrer).

    Algumas pessoas podem estar se perguntando como o carro que não foi capaz de salvar a vida daquele homem na Flórida conseguiu prever um acidente na Holanda. Isso aconteceu graças à atualização de software que a Tesla disponibilizou aos seus carros. Sim, os carros da Tesla são como o seu smartphone, eles recebem atualizações de software (sensacional, não?!!)

O futuro está logo ali

  Até esse ponto do artigo, já deve parecer bem claro que carros autônomos não são uma tecnologia para um futuro distante. Isso está acontecendo! Claro, possivelmente levarão algumas décadas para esses carros substituir os atuais, conduzidos por humanos (especialmente no  Brasil, não é mesmo?). Porém, acredito que já nos anos de 2020, a maioria, se não todos, os carros que saírem de fábrica, virão com algumas funções autônomas. É válido apontar para o fato de que alguns carros (inclusive vendidos aqui no Brasil) possuem funções autônomas. Exemplo do Ford Fusion e do Volkswagen  Passat, que contam a tecnologia Park Assist (estaciona o carro sozinho).

  E não é somente uma ou duas empresas que estão investindo em carros autônomos, ou mesmo somente novas empresas do segmento como a Tesla, Google e Uber (procurem reportagens sobre o carro autônomo que o Uber colocou em teste em São Francisco, Califórnia). Gigantes e tradicionais do setor como a Ford, Mercedes, Volvo, Audi e General Motors estão seguindo por esse caminho.  

Ilustração da função Park Assist.

Conclusão

  Bom, esse artigo ficou maior do que o esperado e mesmo assim poderia escrever muito mais sobre esse tema. Em minha humilde opinião, acredito que carros autônomos são o futuro do transporte. E temos muito mais a ganhar do que a perder com isso.

  Apesar de ser uma tecnologia nova, com algumas falhas, o professor Calestous Juma, da Universidade de Harvad, em entrevista ao The Washington Post, posiciona muito bem essa questão. Segundo ele, no ínicio do século XX, geladeiras não eram um item doméstico e quando essa tecnologia começou a surgir, houve muitos relatos de incêndios causados por esses equipamentos,além de vazamentos de gases tóxicos. Mas os cientistas sabiam que o efeito da refrigeração no alimentos traria um efeito muito positivo à saúde pública. E essa tecnologia se desenvolveu até o que é hoje.

  A melhora e o aperfeiçoamento é o caminho de qualquer tecnologia. E sendo os carros autônomos capazes de no futuro reduzir o número de acidentes em  90%, não seria nossa obrigação moral implementar essa tecnologia?

Carros autônomos, o futuro da mobilidade urbana!

 

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